NOVA MEDITAÇÃO SOBRE O TIETÊ.
Nova Meditação Sobre o Tietê: Para; Mário de Andrade. É noite... Tudo é noite Debaixo do arco admirável Da Ponte das Bandeiras... É noite e tudo é noite... Soturnas sombras tão vastas, Água noturna, Líquida noite escura... Meu Tietê Cheio de luzes trêmulas E águas fétidas Rodeadas por arranha-céus valentes E congestionadas marginais. Águas oleosas e pesadas Onde tudo é morte, Um rumor de vermes insalubres, Onde tudo é lúgubre, Onde tudo é lama escura Carregando o sofrimento dos homens. Nada me amarga mais, Nem a recusa, Nem a vitória do individualismo, Nem o egoísmo Desta felicidade deslumbrante De estar eu aqui agora. Mas ao mesmo tempo tudo me desgasta E me dispersa Por todos os descaminhos, Tramas onde a aranha insana se perdeu, Cisco e pólen de cadáveres, Verdade e ilusões insaciáveis... Rio, Meu Rio Em Cujas águas sujas Despertei Melancólico e frágil... Reporto-me as tuas águas ...