O ENGENHEIRO METAFÍSICO.
O ENGENHEIRO METAFÍSICO (ou PARA LER E ESCREVER O MUNDO)
Texto 13:
Décimo terceiro ano de exílio. Em viagem para Cannes, França. 2 de Fevereiro de 1980.
Sonho um sonho tristonho
E me vejo dentro do sonho,
Real como de fato é a realidade...
Sinto o meu corpo
Consciente e estremecido
Dentro do vagão de um trem...
Gente e movimento se misturam,
O vento acaricia o meu rosto
Pela janela aberta...
Vejo paisagens
Da minha infância
Que passam como um filme...
E o comboio
A seguir e a parar...
Seguir... Parar...
E isso é sem fim
Na duração do sono...
Quando eu acordar
Saberei que tudo não passou de um sonho
E que a realidade passa
Do lado de fora...
No interior da hora
A eternidade range
Suavemente e sem demora...
Tudo o que fui de sonho
Resvala e se esvai
No despertar
A consciência de um Eu
Que não sou Eu...

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