EPIFANIA.




EPIFANIA:
Eu me perdi
De mim mesmo
Correndo no parque
Chovia uma chuvinha fina
Que esfriava a pele
Quando eu ainda me sentia
Isto é
Quando eu ainda percebia
Que era Eu mesmo que corria
Já era quase noite
E de repente um Epifania
A mente como que se esvazia
Era outro Eu que corria
De baixo da chuva fria
Um Eu que era Eu mesmo
Em tudo parecido comigo
O mesmo rosto antigo
Que Eu vislumbrei no espelho
Antes de sair de casa
Agora sentado no banco do parque
A chuva escorre pelo meu rosto
Misturada com o gosto de lágrima
E a chuva cada vez mais apertava
Transformando-se em enxurrada
E Eu sentado no banco
Me via passado correndo
Um outro Eu
Que era Eu mesmo
Que se distanciava e sumia...

II


Não me lembro
De amores perfeitos
Num futuro milenar
Meu coração
Será talvez um fóssil
Enterrado
Numa crosta de gelo

Cronos  nada tem a me dizer
Sobre as horas de abandono
Nem mesmo Zeus
Com seus raios de fogo.  



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