O ENGENHEIRO METAFÍSICO.




O ENGENHEIRO METAFÍSICO (ou PARA LER E ESCREVER O MUNDO)


Texto 4:

Quarto ano de exílio: Sintra, Portugal. 25 de Janeiro de 1971.

Na nitidez do dia
Tudo se estagna...

O ar cheio de sol,
O torpor do ócio
A adormecer a face,
A paisagem lânguida,
A alegria humilde e humana
Dos animais que pastoreiam
No campo,
A árvore secular
E o efêmero sonho...

Tudo...
           Tudo se estagna...

Eu, agora mesmo,
Fui outro... Sim,
Como um animal
Em mangas de camisa
A sombra dessa árvore,
No grande dia
De iluminada tarde de sol
A observar as pradarias...

Mas agora
Nada me apetece
E este dia
Que seria para mim
Um dia feliz,
Pouco a pouco
Se dissipa...

E só a tristeza fica
No findar da tarde,
E o meu coração
Escurece com a noite,
E tudo se estagna
Como o dia...

O grande dia
Que me fez sonhar assim
Com outra paisagem...

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PAISAGENS/MIRAGENS E RITOS DE PASSAGEM.

O EX-MÁGICO DA TABERNA MINHOTA

DESENHO.