O ENGENHEIRO METAFÍSICO.



O ENGENHEIRO METAFÍSICO (ou PARA LER E ESCREVER O MUNDO)


Texto 6:

Sexto ano de exílio. Lisboa, Portugal. 26 de Julho de 1973.

Vivo entre
O quarto andar
E o infinito...

Todos os dias
Acontecem coisas no mundo
Inexplicáveis pelas leis que conhecemos,
O próprio sonho, por vezes me castiga,
Porque adquiro nele uma lucidez...

São reais as coisas que sonhamos?
Plausíveis e palpáveis
Como a própria realidade?

Quando acordo
Sinto uma angústia
Por ter acordado
E saber que era deveras sonho
O que eu tinha sonhado...

Parece que a dor humana é infinita,
Que não há tréguas na vida...

O tédio pesa
Como águas soturnas
Caudalosas, estagnadas...
Pesa como lodo,
Como sombra noturna...

Da janela
As ruas são foscas
E os transeuntes
São espectros incógnitos
Que deixam seus rastros
Despidos de glória...




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