O FIM.




O FIM : homenagem à Augusto dos Anjos.

Latescências raras
Alvas virginais,
Auroras boreais
E dormências mórbidas,
Nervosos braços de serpentes
E o ranger de dentes
Na contração de marmóreas entranhas...

Desejos reprimidos
Há tantos anos,
Sonhos jamais realizáveis
E noites sem luar...

No bar um riso demente
Extravasando o escuro silêncio...

É tudo tão trágico
Quando o amor acaba...

Embriagado e infernal
Permanecem os homens
Do alto de sua dor atroz
Parvos
Como Clowns varados de agonia,
Alvos
Como fósseis a beira do infarto...

Noites perdidas na insônia,
Na embriaguez soturna,
Divagações de sacrossantas urnas,
Rosas siderais e majestosas furnas...

E o que sobrou do amor
Há tanto tempo cultuado
No braço tatuado
Como rosa negra?

Suplícios e mórbidos acordes dissonantes,
Histerias vãs e masturbações agudas,
Inércia e preces remotas,
Este poema escrito em linhas tortas...

Repugnância e nada mais?

Algumas esperanças, talvez
Semeadas em horas mortas?

A espera certeira da morte,
Um corte profundo sangrando...

Nada mais?

                  Nada mais?

Um riso grotesco, talvez
Suspenso sobre abóbodas
De catedrais imensas
Onde luzes de irradiações intensas
São filtradas por lâmpadas suspensas de ametistas...
Excrescências singulares
Espalhando-se pelo ar
Contaminando a superfície do planeta...

Nada mais...
                    Nada mais...

Um fósforo que se apaga
Deixando um rastro
De fumaça fétida,
Uma vela que se finda,
Uma sombra que se dissipa
E fim...


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

PAISAGENS/MIRAGENS E RITOS DE PASSAGEM.

O EX-MÁGICO DA TABERNA MINHOTA

DESENHO.