PAISAGENS/MIRAGENS E RITOS DE PASSAGEM.
PAISAGENS/MIRAGENS E RITOS DE PASSAGEM:
XXV
CARTAS PARA JOHNNY:
Carta 1
Envelhecer não é tão difícil assim...
Difícil mesmo é manter a ternura do olhar
E o sopro de vida
Ardendo no peito...
As desilusões
Que as vezes vão tomando conta da vida
Também se dissipam
No tempo...
E o que é velhice?
O que é a vida inteira?
As estrelas que vislumbramos no céu
Há muito estão mortas
Mas seus rastos de luz
Atravessam o universo.
E o que supomos nossos erros e acertos
São tão insignificantes
Diante de tudo aquilo que nos cerca
E que não compreendemos direito.
E isso é que de certa forma nos cegam...
E as palavras antigas
De nada nos servem
Para os sentimentos novos.
Há de ser apenas
Monumentos erigidos no tempo
Que o vento corrói.
Carta 2.
Não agradeça as minha palavras
Ou os meus pálidos pensamentos,
Tudo o que falo e escrevo
É jogado no vento.
E alguns perguntam:
A onde germinam estas sementes?
Talvez, elas germinem no tempo,
Num tempo que não mais existe,
Mas que ainda persiste
Como um eco sonoro
Preenchendo os espaços
Há muito tempo vazios...
Fica então este parentesco
Entre o pensamento e o texto,
Entre o dito e o não dito,
Entre o que escrevo e o que medito,
Entre o efêmero
E o que é infinito...
Carta 3.
Aqueles que olham pra trás
Apenas enxergam
As pedras que ficaram no caminho,
São como âncoras
Paralisadas no passado,
E os que olham para frente
Muitas vezes esquecem
De olhar para os lados
A onde há gente...
Não são como águias
Que voam além do horizonte,
São como os sonhos de ontem
Que só restaram esparsos fragmentos...
E o vento que sopra
É apenas o vento que sopra,
E terra é pó
Para onde retornaremos um dia...
Ou então viraremos fumaça
Que se dispersa no ar.
Passaremos do estado líquido
Para o estado gasoso,
Pois mesmo o que é sólido
Se desmancha no ar.
Vapores que inspiro para inspirar-me.
Não há retratos proféticos
Nem do futuro, nem do passado.
Nenhuma folha cai ao solo impunemente,
Nenhuma semente germina em solo árido.
Carta 4.
(NA SOLEIRA DA PORTA.)
Sentado na soleira da porta
Descalço,
Olho as montanhas ao longe...
É tarde
Mas o sol ainda não se põe...
Estou aqui com os meus cães
Aos meus pés,
Afago a cabeça de um,
Outro corre até a porteira
E volta saltitando
Alegre como só os cães são,
Nina, a cadela
Olha as crias dela...
Entro na cozinha
Lavo as mãos sujas de terra
E fatio os tomates
Que a pouco eu colhi na horta,
Faço fatias bem finas
E salpico sal, azeite e manjericão,
Mastigo tomate maduro,
O suco escorre-me pela boca
Que limpo com a palma da mão,
Fatio também as cebolas e os pães,
Espremo os limões que é para o molho,
coloco gravetos no fogão
Pra terminar de cozinhar o feijão,
O sol já se põe,
É verão...
Nesse ato de liberdade selvagem
Eu sou a terra, o céu, as montanhas,
(Eu sou o espaço a onde estou
E tudo em volta participa daquilo que sou)
Os cães agora adentram pela casa
E eu abro a janela para a imensidão...
Sentado na soleira da porta
Descalço,
Olho as montanhas ao longe...
É tarde
Mas o sol ainda não se põe...
Estou aqui com os meus cães
Aos meus pés,
Afago a cabeça de um,
Outro corre até a porteira
E volta saltitando
Alegre como só os cães são,
Nina, a cadela
Olha as crias dela...
Entro na cozinha
Lavo as mãos sujas de terra
E fatio os tomates
Que a pouco eu colhi na horta,
Faço fatias bem finas
E salpico sal, azeite e manjericão,
Mastigo tomate maduro,
O suco escorre-me pela boca
Que limpo com a palma da mão,
Fatio também as cebolas e os pães,
Espremo os limões que é para o molho,
coloco gravetos no fogão
Pra terminar de cozinhar o feijão,
O sol já se põe,
É verão...
Nesse ato de liberdade selvagem
Eu sou a terra, o céu, as montanhas,
(Eu sou o espaço a onde estou
E tudo em volta participa daquilo que sou)
Os cães agora adentram pela casa
E eu abro a janela para a imensidão...
FIM.

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