PAISAGENS/MIRAGENS E RITOS DE PASSAGEM.



PAISAGENS/MIRAGENS E RITOS DE PASSAGEM:

XVIII

NA SOLEIRA DA PORTA.

Sentado na soleira da porta
Descalço,
Olho as montanhas ao longe...
É tarde
Mas o sol ainda não se põe...
Estou aqui com meus cães
Aos meus pés,
Afago a cabeça de um,
Outro corre até a porteira
E volta saltitando
Alegre como só os cães são.
Nina, a cadela
Olha as crias dela...
Entro na cozinha
Lavo as mãos sujas de terra
E fatio os tomates
Que a pouco eu colhi na horta,
Faço fatias bem finas
E salpico sal, azeite e manjericão,
Mastigo o tomate maduro,
O suco escorre-me pela boca
Que limpo com as palmas da mão,
Fatio também as cebolas e os pães,
Espremo limões que é para o molho,
Coloco gravetos no fogão
Pra terminar de cozinhar o feijão,
O sol já se põe,
É verão...
Nesse ato de liberdade selvagem
Eu sou a terra, o céu, as montanhas...
(Eu sou o espaço a onde estou
E tudo em volta participa daquilo que sou)
Os cães agora adentram a casa...
Eu as janelas pra imensidão...

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