PAISAGENS/MIRAGENS E RITOS DE PASSAGEM.



PAISAGENS/MIRAGENS E RITOS DE PASSAGEM:

XIII

A Liberdade:

Permanecem
Intactos
Os vidros das janelas...

As pedras não voam,
As pedras rolam
Encosta abaixo
Em todas as direções...

Eu do alto da montanha
Contemplo o mundo
E com serenidade
Iço a minha bandeira
No cume do monte...

Enfio distraído
As mãos nos bolsos
E escuto Haydn...

Ressoa nas montanhas
Uma orquestra invisível
Da qual eu sou o maestro...

O vento é verde
Animado e calmo...

E a liberdade existe
Afora todas as probabilidades
De estarem atadas as nossas mãos...

A liberdade existe.
É o que me consola,
Saber que queremos
Apenas paz no mundo.

Enquanto as pedras rolam...

A ponte:

O Homem
É uma ponte
E um devir...

São tantos acenos
Desconcertantes
Que nos vem de longe...

Da dialética, talvez
Da história estratificada.
Mas o tempo é movente...

A névoa obstrui
Os caminhos que tateamos
Para ir além do Homem,
Além daquilo que somos,
Ao âmago
Do Humano demasiado Humano.

Então
São todos estes desencantos
Que nos acenam sentados
Como sapos com asas
No meio do caminho.

Mas o Espírito
É também volúpia
Assim como é o Oceano.

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