PARA LER E ESCREVER O MUNDO.



PARA LER E ESCREVER O MUNDO.
Quero escrever. Não posso. As palavras me escapam sorrateiras. Brincam comigo. Riem da minha cara sisuda diante do teclado. Mas eu insisto. Quero escrever um relato, uma narrativa, um depoimento de vida. É preciso ampliar o meu vocabulário. As palavras que tenho, como que guardadas comigo não são suficientes para dizer o que sinto.
Mesmo assim quero, preciso escrever. O único problema é saber o quê. Se fosse pra falar, eu falaria pelos cotovelos. Mas escrever é como desenrolar um novelo todo emaranhado. As palavras são como nós que precisam ser desatados. Quero encontrar o termo exato daquilo que eu quero dizer, ou melhor, escrever. Se fosse pra dizer eu já tinha dito, não sou lá assim muito tímido. Mas escrever é outra coisa, as palavras fogem, ficam escondidas. Ora! É verdade, elas brincam comigo.
Escrever não é fácil. As idéias não se soltam no papel, ficam lá na cabeça como que a espera da deixa. Dialogo comigo mesmo na espera de encontrar uma reposta que possa por fim redigir. E transformar as idéias em texto escrito numa determinada ordem que expresse aquilo que sinto. Mas não consigo. As palavras são signos que eu não decifro neste exato momento. Ficam, portanto ainda em forma de pensamento.
Mas eu insisto. Porque preciso. Dou uma pausa e recomeço a tatear os teclados, em agrupar as palavras, colocando-as lado a lado. Em busca de um sentido preciso. Mas quanto mais insisto menos sentido há naquilo que foi escrito. Então eu apago, por uns instantes desisto. Não é necessário ser assim tão exato. Então eu jogo as palavras, deixo que as frases se formem ao acaso.
Mas não estou satisfeito. Quero um texto que seja bem feito, não com adornos, mas que seja preciso nos seus contornos. Mas me falta um tema, então eu fico neste dilema de querer escrever o que sinto, sem saber por onde começar, sem conseguir encontrar um início.
Não uma dissertação, um texto científico, uma tese. Não, isto não me apetece. Quero escrever um texto naturalmente como se faz uma prece. Não um texto qualquer, escrito de qualquer maneira, não um texto que expresse apenas uma mera besteira, nem mesmo um texto ideológico que levante uma bandeira. Não, não é o que quero. Não um texto colocado num terno.
Mas é preciso estudar, eu sei. Não se escreve do nada, para escrever é preciso ler. Então é preciso saber o que realmente eu quero escrever.
Quero escrever um texto que flua e que abra caminhos para outros textos que venham em seguida. E que seja simples de ler por qualquer pessoa que por acaso se depare com ele. E ao lê-lo diga: Que texto simples! Que texto bonito!
Mas o fato é que não consigo, por mais que pense e medite, por mais que relembre de coisas vividas. Por mais que eu me esforce às palavras não surgem, me falta um propósito qualquer. Então que ele venha quando quiser. Eu estarei pronto, porque como disse o poeta estar pronto é tudo. Por isso eu quero ler e escrever o 

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