O ENGENHEIRO METAFÍSICO.



O ENGENHEIRO METAFÍSICO (ou PARA LER E ESCREVER O MUNDO)

Texto 3:

Terceiro ano de exílio. Mosteiro no Tibet. 22 de Abril de 1970.

Fluidos e sombras
Do dia que finda
Entre exaustas púrpuras
Na tarde lenta...

Vestígios dos meus passos
Deixados nas clareiras
Da floresta...

Todos a quem amei
Esqueceram-me na sombra.
Ninguém pode me dizer quem sou
Nem saber quem fui...

No correio não havia
Notícia de carta
Que me escrevessem...

Quem haveria de escrever-me?

Notícia alguma
Do último barco que partiu
Filho da bruma futura
E da indecisão
Que em mim habita...

Meu nome está
Entre os que tardam,
Este nome é sombra
De tudo que finda.

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