ULISSES: O ETERNO RETORNO.



ULISSES: O ETERNO RETORNO.


“Tudo continua sempre
Para sempre continuando”

Prólogo: ( 01 de janeiro de 2001, cerca de 3 horas da manhã, dentro de um coletivo, ruma zona sul de São Paulo. A maioria das pessoas estão de branco. Algumas conversam, riem, outras estão adormecidas.)

" Estas Pessoas já não têm fantasias
Estão todas despojadas
Só lhes restam a realidade
De quem volta pra casa...
Algumas pessoas dormem
Ou nunca estiveram acordadas
Vaidades?
Sonhos?
Delírios?
Agora não são nada
Só lhes restam o fato
De que voltam pra casa..."

Canção do Navegante:

acordai homens!
Acordai!
Que os heróis estão
Todos adormecidos
E a luz já desponta,
E o mar nos chama ao cais,
Embarquemos para outras paragens!

Que rufem os tambores,
O clamor da multidão
Está definitivamente abafado,
Nem astros, nem canções
Nos guiam mais...

Nem mesmo os pássaros
Podem nos indicar o caminho...

Sejamos, portanto,
Aventureiros sem bandeira
Enfrentando as tempestades dos oceanos
Onde tantas almas se perderam...

Não vamos entoar canções aos deuses,
Pois como Ulisses
Deles desdenhamos.
Apenas sigamos em frente
De Oceano a Oceano
Do Índico ao Atlântico
Até o Mar Mediterrâneo...

Evocação a musa:


Aurora matinal
De dedos róseos
Sabendo que a terra
E nós somos um só
E que outrora
Éramos todos nômades
Pastores de cabras e de ovelhas

Evoco o trovão
E o relâmpago
E as sete esferas
Que queimam o meu corpo
Efêmero
Como tudo o que há
No mundo

Este corpo de carne e osso
Que para terra um dia retornará

Então eu sou a Natureza
O que devoro
É o que também me devora...

O despertar de Telêmaco:

Eu agora evoco
O pássaro azul-escuro
E o papagaio verde
De olhos vermelhos

Evoco as estações
E os Oceanos
A imanência
De onde todas as coisas
São nascidas

Quando a aurora matinal
De dedos róseos raiou
Levantou-se Telêmaco
Do seu leito
Vestiu-se
Suspendeu a pontiaguda
Espada
Atou as sandálias
Aos seus pés reluzentes

Belo como um deus
Saiu do aposento altivo
Ordenando os arautos
Que convocassem a assembléia
E em punho
De uma lança de bronze
Avançou para a Ágora

Só dois cães o seguiam
Atena sobre ele
Derramava sua luz...

Despedida de Aquiles:

Então houve
Uma grande despedida
O corpo estava ali

Nem mais um sopro de vida
Naquele corpo

A feição continuava a mesma
Mas agora imóvel
Estática
Como mármore

E o ritual
Era como
Todos os rituais
De despedida

Podia ele estar vivo
Em espírito
Em outro lugar
Inimaginável

Mas o que importava
Para toda aquela gente
Que existisse vida
Além da Terra?

O momento era de adeus
Para sempre
De orações e de mantras
E de convenções fúnebres
E de lágrimas
E de risos
Por que não?

De palavras de perdão
E de mágoas sufocadas
O momento era de paz
E de silêncio
De velas
Incensos

E o corpo estava ali
Como qualquer outro corpo
Dos soldados que estavam mortos

Esvaziado
De todo conceito
Apenas um invólucro
Agora vazio

E assim foi
O último dia
Nas ruínas de Tróia...

I

De repente
A solidão me invade
Em baixo da cúpula
Inscrições em latim
(culpa) Sobre a parede (sangue)
Rumores de conversas
(barulho do mar) VOZES
VOZES
Eco-ando pelos labirintos
Do edifício
O ar-rastar de cadeiras
Chaves abrindo
E fechando
Portas
Objetos obscuros
Que ante-vejo
(ouço) ECOSONOROS
Sussurros (murros na parede do manicômio)
Carros passando na rua
E os pássaros em silêncio
Ao cair da noite / Silêncio
Silêncio As luzes se ascendendo
E criando sombras
Sombras
Sombras
Nas paredes / rentes
redes
Injetadas
O transitar de pessoas
Quase sonâmbulas
E a tênue luz noturna
FOGO
Dentro de mim

Fogo!
Fogo!
Fogo!

(Incêndio no manicômio)

Aguados poemas rodopiantes
Escorregando por entre os dedos

No limbo da memória
Ou
No inferno da memória VEJO
Um Objeto
Isolado
Iluminado
Sobre um holofote
Um OBJETO Que circundo
descrevo
disseco
Olhando
Fora e Dentro


Apreendo a essência
De um passado remoto

O silêncio
Que FAÇO agora?
É como uma pausa
Na respiração/ inspiração
expiração


Escrevo meu nome nas estrelas
Sou um Arcanjo de luz e sombras
Meus olhos são águas transparentes
Mas minhas asas são negras como fuligem

Equilibro-me
Na vertigem

Desenho minha CABALA
Onde incluo o sol e a lua

Cosmo logia
CA BA LA

Pálpebrasbronzeas
Flores fanadas
Incrustadas num mar
De prata

A morte a espreita de todos
O sonhador inútil e o rei deposto

Tudo hiberna um dia
E tudo desperta
Há um Oceano
De baixo da crosta de gelo
Em algum lugar
Recôndito
Existe um amor verdadeiro?

Penélope
Desfia o novelo
Tece o manto
Para logo após
Desfazê-lo

II

Pelos caminhos
Encontramos espectros
Carregando o peso do corpo
Ainda vivo-morto
VIVO
Elucubrações Fantasmagóricas
Oscilações corporais
Pessoas voltando pra casa
Umas caladas
O rosto contorcido
Outras nem tanto
Balbuciam
Ruminam
Falam sozinhas
Outras ainda
Tagarelando futilidades
Utilidades domésticas
No fim do dia
E outras
Graves silenciosas

Um peso enorme
Por sobre os ombros
Monumentos enregelados
Monólitos contemporâneos
E novamente SOMBRAS
No fim do dia
Fim do século
Começo de outro recomeço começando
Neblina densa
De LONDRES
Púrpura


Saímos de cavernas subterrâneas
Em procissão
Caminhamos
Nossas sombras
Acompanhando a memória de cada passo
Seguimos em frente
UM
Atrás dos OUTROS
Asvezesaglomerandoseembandos
De Ban Dan Do
Se Dis
Per
San Do

Até a chegada da madrugada
Onde Um
E OUTRO
Peregrino sonâmbulo andarilho
Vaga

Lembrei-me
De uma dor que tive de madrugada
E pensei na palavra “vísceras”
E me lembrei
Da cabeça de um pássaro morto
O crânio de um pássaro
Uma pequena bailarina
Um radinho de pilha
Uma carta antiga de uma antiga namorada
E uma lágrima escorreu pelo meu rosto
Lembrei de mães e pais ausentes
E do meu pai já morto
Depois tomei duas cervejas
E falamos sobre teatro
E rememorei de novo uma grande roda
Uma dança ritual
Uma prontidão do corpo
Uma frase um tanto vaga
- Até qualquer dia... De outra semana...
Eram duas da madrugada
(ou quase)
E há poucos minutos
Eu estava na rua
Eu voltava pra casa
- Até qualquer dia arqueiro zen...
BIG-BEM
Nebulosas
Átomos de hidrogênio


E na noite passada
Martine com gelo
Conversas sobre cinema
A carta do enforcado
A minha ausência
Bispo do Rosário
Cadeira vazia
Minha presença temporária no mundo
E embrulhei delicadamente o crânio do pássaro
Eu estava no riacho
Seguindo pelo Lajeado
Água transparente
E pedrinhas redondas
Água acima da cintura
E em volta árvores arbustos folhas galhos flores do campo
Delicadamente então
Eu embrulhei o crânio de um pássaro
Em volta formas redondas
Perfuradas
Ciclopes
Cores condensadas
Pastosas-opacas
Pedras cristais
Compartimentos
Livros na estante um tanto desarrumados
Azul-vermelho-ocre
Verde de Veneza
Da Prússia
Amarelolimãocadmouro
E Terra Queimada
E delicadamente embrulhei
O crânio de um pássaro
Caminhava com meu pai
Pela estrada do Capivari
E depois a cavalo
Pelo areal
Até a casa de Esturlana
E nos banhamos no rio das pedras
Em São Gonçalo
E sonhei com uma casa
Na beira do rio
E novamente a roda
Os pés batendo no chão
-Índio! Índio! Quer brincar!
Um amor reprimido dentro de mim
Como um pássaro morto
E a imagem do meu pai
Se perdendo na memória
Morto morto morto

E a grande montanha
Uma pequena bailarina
Um radinho de pilha
A carta antiga de uma antiga namorada
E uma lágrima escorrendo pelo meu rosto

III

Eu me lembrei então
De gestos delicados de sedução
Um corpo frágil de menina
“Uma coisa tão bonita que me aconteceu”
Boitempo
Boitempo
Boitempo
Boitempo
As quatro estações do ano
“Como é bonita, meu Deus!”
Eu imaginei
Os cabelos soltos
E ela disse sim... Sim... Sim...
Eu era então Bloom
Caminhando por Dublin
Chovia uma chuvinha fina
Plinplinplinplin zissss chuszzz
Enormes aves metálicas sobrevoando o céu
Rente as casas
A mão do poeta tremia num tempo remoto
Livros em baixo do braço
Bolsa preta já de muitos anos
Sobrevivia as intempéries
Amigos morando em Londres
Os galhos das árvores dançando
Dançando
E os olhos Os olhos

SOLIDÃO
Sólida pedra paleolítica
Pesando no bolso

As mãos tão delicadas
Pequenas
E brancas
E os olhos
Os olhos
Verde vez em quando
À incidência da luz
Castanhos
Verdes

Verdes
E assim nos despedimos
E se passaram anos
Horas-minutos-segundos
Até a próxima semana

Desperto de madrugada
Fantasmas me assombram
Em volta da cama
Adormeço-desperto
Dentro de um sonho
Muito além de Ítaca
Além das muralhas de Tróia
No Hades
PESADELOS
Dédalos
Ícaro
Seu Pedro Dona Carmem
Seu Aníbal Seu Orlando
Meus avós
José Maria
Maria José
Olavo
E Ana Maria
Meu pai chamado Messias
Minha mãe que era Dorinha

E muitos outros
Vagando
Sigo caminho
Para ilha dos gigantes
A onde moram Ciclopes
Polifemo devorador de homens
E além
A torre de Calipso
A ilha a onde mora Circe

Eu estava então retornando
Em meio à tempestade
No fim da noite
Despedimo-nos no metrô de Londres
Dizendo
-Até um dia
De outra semana
Outro ano
Quem sabe?

Depois de anos
Alguém bateu na porta

Era você chegando
Os cabelos soltos
Como eu nunca tinha visto
Os olhos verdes
Castanhos verdes
A Penélope dos meus sonhos
Portando o arco triunfante
Era dia então
Começo
Do milênio
Você vinha de Paris
E me contou
Que atravessou o deserto num dromedário
Eu lia Drummond
Chovia em São Paulo
Nevava
E outro dia mesmo pela Internet havíamos nos encontrado
E você me contou
Que escrevia poesias
Dos retalhos do seu dia a dia
E que sobrevivia
Ao inverno Europeu
E nisso se passaram
Mais três anos
E avançamos pelo milênio
E tudo se transformando
Cabelos brancos
Amigos distantes
Alguns
Outros
Dispersaram-se
Nesta cidade
E no passado
De vez em quando
Encontrávamos-nos em bares
Nos fins de semana chuvosos
Para beber cerveja
E jogar conversa fora
Nossas neuroses de cada dia

Se diluindo
De copo em copo
Se transformando
Numa alegria momentânea
E brindávamos no fim da tarde
Depois de um expediente asfixiante
Uma esperança
Ainda que tardia
E nos desafogamos
De complexos há muito tempo cultivados
E projetamos os nossos planos
Minuciosamente projetados
Em detalhes derradeiros
Devotados
Sinuosos

E assim foi: O último dia
que nos vimos
E nos despedimos
Início de um novo ano
Um novo milênio chegando...

IV

Disco vermelho
Brilhando na escuridão
O braço invisível
Do semáforo
E outros círculos verdes
Galvanizados
Encravados nas trevas
Do cruzamento
Entrecortado
Pelo estrondo
Da buzina de um caminhão

Isto é a vida?
Serei realmente o que sou?
O que vou fazer sozinho na Terra
Eu me pergunto

Olhar como oxidam
Os dínamos das oficinas?
Os esqueletos afinal de contas
Decompõe-se?

Eu não sei
Eu não sei

Estou pra sempre perdido

Na estranheza da mundo
Estou deslocado
Tenho consciência da existência
Mas para quê afirmá-la?
A alma em silêncio
Recolhida em meu corpo
Nem mais um sopro de vida
Há engravidar as palavras
Deus está morto
E só o mal afirma a presença do homem no mundo
(onde é que eu li isso?)

A vida não pode ser assim
Repito comigo
A vida não deve ser assim

Somos por vezes
Homens invisíveis
Petrificados em nossa humanidade
Totens contemporâneos
Mitos masterizados
Em novos formatos descartáveis
Ídolos enclausurados
Em redomas de vidro
Heróis desqualificados
Com Carteira de Trabalho e CPMF
Quem chorará nossas tragédias?
Quem rirá das nossas comédias?
Quem em sã consciência
Sacrificar-se-á pela paz no mundo?
Quem voltará a Ítaca
Para empunhar o arco triunfante?
Quem vestirá a armadura invulnerável
De Aquiles?
Quem chorará aos pés da oliveira
E derramará seu sangue?
Acres simulacros
De embelezamentos tecno-lógicos
Complexos titubeantes de Édipo
Modismos co-modistas
Desta nova era de eletrodomésticos de estimação
A des-comunicação
Politica-econômica
Eco
Lógicas
Racionalistas
Ou realista
A memória falível dos megabytes
As janelas que se abrem para o abismo
Virtual
De palavras banalizadas
Clones cibernéticos
Simulacros simulados no com
Puta dor de última geração
Pulsações des-com-passadas
Dis-simuladas
O Humano cada vez mais obsoleto
Absoluta fibra ótica dos meus nervos
Trêmulos

Tremulantes
Conversas banais em volta da mesa
Cervejas
Hora da novela das seis
Da novena
Depois o noticiário
Anoto no diário: Ouço um ruído lá fora
Vozes de crianças brincando
Olho a cama desarrumada
E a casa sem varanda
O rosto do meu pai
Apagando-se da memória
A des-semelhança estampada no espelho
Um livro enigmático na cabeceira da cama
Estas palavras de-compostas
Lado a lado
Dissolvidas
Estilhaçadas
Tateando e tentando
Re-com-por-se

Mas nem tudo está corrompido
Corroído
Poluído
Prostituído
Nem tudo está perdido
Ou inerte para sempre
Nenhum objeto é sem vida de todo
Tudo
Está a espera
De um sopro
Mas
Agora
No fim da tarde
A noite cai
Com todo o seu peso de estrelas
Nem bem
Uma reluziu no céu
Apagou-se
Sobre o negro-chumbo-oxidante
Pingos de chuva ácida
Trovoadas
Nem uma só
Viva-alma
Na rua
Apenas um esquelético cão
Passeando os seus ossos
E o vento
Chafurdando os telhados...

V

O que há com o nosso amor
Que não se firma?

Feito casa construída num barranco?

Palafitas com as bases corroídas?

Feito o lusco-fusco
Destas luzes da cidade?

O ofício de poeta
É uma loucura

Bebo vinho?
Sorvo cicuta?
Leio Platão
No sacolejo
Do ônibus da periferia

E pergunto-me
O amor é tudo
Ou nada perdura?

Estou com frio
Em pleno sol do meio-dia
Ajeito cadernos
Revejo diários
Refaço a contabilidade de afetos

E concluo

O amor é um remédio sem bula
Um fogo que se consome
Segundo Camões

Leio Dante Aligheri
Oh! Minha Beatriz
Alma do outro mundo
Para te ver
Eu atravessei os círculos do inferno
E lutei com moinhos de vento

Moinhos de vento?
Beatriz ou Dulcinéia?

Dulcinéia de Ipanema
Boca escarlate
Olhos dourados
Unhas azul metálico

Minha beldade
Minha pedra filosofal
Segundo Hermes Egisto
Segundo Nostradamus
E segundo Pitágoras (um amigo meu)
A Hipotenusa é uma puta
De um puteiro do interior de Minas
"Igual a Soma dos Catetos"

A distância
É cada vez maior
Um fosso sem fundo
Um eco retumbando nas montanhas
A distância
É cada vez maior
Apesar das tentativas
Inevitável o desenlaço
Após longo e tenebroso estásimo

Fica a falta de Utopia como um vácuo
Fica uma dor de cabeça
Longe da possibilidade
De uma Novalgina
Fica um coquetel de florais de Bach
De Mozart
Fica uma vibração de cordas
Um acorde de cravo
Um dedilhar nas teclas do piano
E por fim o silêncio
Um Redy Made de Duchamp

Mas nem tudo é obscuro
Existe o sexo dos anjos
Existe um poema de Baudelaire
Recitado em voz alta
Um epitáfio de Augusto dos Anjos
Um arabesco enigmático de Mallarmé
Um aquário com peixes vermelhos
De Henri Matisse
Um rosto des-figurado
Pintado por Picasso

E

Tudo
O que vejo
É turvo
A estrada que bifurca
Após a curva
A árvore de frente a casa
Com sua copula de flores brancas
A cúpula da igreja gótica
Que se vê ao longe
O monge
Com sua bengala
Esperando o ônibus
Que não vêm
O tigre de dentes de sabre
Tatuado no braço
Do marinheiro albino
Os paralelepípedos de pedregulho
Os fios elétricos
Desenhados
Sobre um céu escarlate
Na manhã de Abril
Os transeuntes cabisbaixos
Que vagam
Como almas penadas
Para o Hades
Os soldados
Com seus coturnos pesados
Que marcham para
A guerra do fim do mundo
Seguidos por beatas
E por um bando
De pássaros
Com chilreados ensurdecedores
E um arco-íris desbotado
Diluído na atmosfera
Da Terra
Que gira imperceptivelmente
Sobre um eixo imaginário...


(Mesmo dia cerca de 5 horas da manhã. Acordo num sobressalto. O cobrador do ônibus diz: Ponto final. Olho em volta, o coletivo está vazio. Desço, antes de ir embora viro-me para o motorista e para o cobrador, aceno e digo: Feliz ano novo. Eles apenas me olham estranho. Afasto-me em passos largos em direção a minha casa. 01/01/2001.)

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